LIONS x POLÍTICA x DEMOCRACIA – PREOCUPAÇÕES

Vivenciamos, no Brasil, uma época muito estranha em relação aos conceitos aplicados em nosso regime democrático consagrados na Constituição. Por extensão, o mesmo ocorre em certos níveis do Lions.
Lions, em seus propósitos, especifica dois itens que destaco, porque serão levados em total consideração nas preocupações que expresso neste documento:
1 – Promover os princípios da *boa governança* e *boa cidadania*; e
2 – Oferecer um fórum para a discussão aberta de todas as questões de interesse público, de forma, entretanto, que *partidarismo político* e sectarismo religioso não sejam debatidos por membros do clube.
Do seu Código de Ética destaco: “SER cuidadoso em *minha crítica* e liberal em meu elogio; *construir* e não destruir¨.
Então, se infere de que não podemos, de forma alguma, debater sobre politicas de partidos políticos, mas podemos, sim, debater sobre os conceitos da política para o regime implantado em uma nação ou mesmo em uma associação, como no Brasil e no Lions, respectivamente. Também temos o direito de fazer críticas para construir. Às vezes, ações e procedimentos vigentes precisam ser “destruídos” para poderem ser reconstruídos.
Nossa Constituição, em seu artigo primeiro especifica que: “A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em *Estado Democrático de Direito* e tem como fundamentos: I – a soberania; II – a cidadania; III – a dignidade da pessoa humana; IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e V – o pluralismo político¨.
Mais além, em seu artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (destaco) II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; IV – *é livre a manifestação do pensamento*, sendo vedado o anonimato; e IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.
Então, pelos conceitos Constitucionais, somos um Estado Democrático de Direito; temos o direito à liberdade, temos que seguir as leis, temos livre manifestação do nosso pensamento e podemos nos expressar intelectualmente sem censura ou necessidade de licença.
Quando o Lions me foi apresentado, e quando fui admitido, apadrinhado pelo saudoso PCC-CNG Marco Antônio Pizarro da Silveira, me foi dito que Lions Internacional é uma Instituição Democrática, seguindo os princípios básicos que regem a nossa Constituição, alguns básicos acima destacados por mim; todos são companheiros e não doutores, excelentíssimos ou qualquer outro adjetivo qualificativo, portando iguais como Leões; há uma escala de funções na estrutura, mas não há regras para obediências hierárquicas, exceto o respeito e o cumprimento aos pressupostos estabelecidos nos Estatutos e Regulamentos oficiais, quando se ocupa uma das funções.
Destaco, ainda, dentro da visão do regime político de uma nação, que as nações ou instituições regidas por regime comunista, ou totalitários de esquerda ou de direita, não permitem a livre expressão dos pensamentos e o livre debate dos cidadãos ou associados; que a interpretação das Leis é do poder central; a hierarquia é rígida e não discutida, ou seja, os líderes institucionais devem ser obedecidos sob pena de severas punições, e a liberdade individual ou social não existe, entre outros predicados desta visão política.
Estes considerandos inicias são pertinentes para que eu possa expressar as minhas preocupações e reflexões como um Leão associado a um Lions Clube, que funciona com base em uma Carta Constitutiva de autorização, concedida por Lions Internacional, onde declara que o Clube estará autorizado a funcionar enquanto cumpra os predispostos nos Estatutos e Regulamentos da Associação Internacional. Ou seja, é o direcionamento que deveria ser seguido e obedecido por *todos os Leões.*

CONTEXTO DAS PREOCUPAÇÕES E REFLEXÕES:

*1º deles:* Vivenciei tristes momentos durante a campanha dos candidatos a Vice Presidência de LCI, antes da última Convenção Internacional. Participei, com imenso prazer e orgulho, da equipe de MKT da PID Rosane Teresinha, por conhecer os seus propósitos, a sua formação e preparação, a sua educação e carisma junto aos Leões de vários países, e, ainda, a sua predisposição de estar disponível para qualquer atividade de Lions, no Brasil e no exterior.
Procuramos fazer as publicações e as suas divulgações dentro da honestidade, respeito e finalidade dos propósitos, que eram os de mostrar aos Leões o nível de competência e capacidade da PID Rosane. Levamos mensagens para vários países da Ásia, África, Europa e das Américas, fazendo publicações em vários idiomas: inglês, espanhol, francês e italiano, além do português.
Entendíamos que uma eleição aberta para todos os Leões delegados dos clubes do mundo, seria uma bela oportunidade para o exercício da livre democracia conceitual, dando, em consequência, oportunidades a qualquer candidato que atendesse aos pressupostos exigidos para o cargo. Esperávamos mais de 30 mil delegados, por conta da Convenção ter sido planejada para ser virtual e não presencial.
Mas, ao longo da caminhada e dos acontecimentos desagradáveis, vários deles registrados e disponibilizados nas redes sociais, fomos verificando que de democrático, em sua essência, o processo não era. Houve, sim, uma opressão dos que se intitulam líderes e que avocam para si o direito das escolhas, sejam elas do agrado ou não da maioria dos Leões. Massacraram, de todas as formas possíveis, a PID Rosane e a sua equipe de apoio, inclusive com ameaças de processos, por algo, de péssima qualidade, não produzido pela equipe.
Ela tinha sido previamente convidada para participar de várias Convenções, aqui no Brasil e em países da Área III. No entanto, por conta das pressões recebidas, alguns dos que a convidaram, foram obrigados a se justificar, junto a ela, para cancelar os convites que foram apresentados. Dava tristeza em ler as formais correspondências enviadas com as justificativas para as ações que estavam tomando. No entanto, todas foram reconhecidas, e respondidas, pela PID Rosane, já conhecedora de tudo o que ocorria e do que (e quem) se fazia para obstruir a sua candidatura. Dos que resolveram combater as pressões e que se mantiveram firmes, com dignidade, em seus convites, destaco os dirigentes maiores do México, que continuaram juntos na caminhada da PID Rosane, mantendo os seus convites. Alguns outros, de outros países, também mantiveram.
Como o processo foi acompanhado por muitos e muitos Leões, que direta ou indiretamente se envolveram nas ações e nas divulgações das publicações, os lamentáveis atos praticados, de forma falada e escrita, muitos deles divulgados nas redes sociais, denegriram a tal propalada democracia da nossa Associação e as suas regras estabelecidas nos Estatutos e Regulamentos.
A equipe de apoio da PID Rosane, antes mesmo do processo eleitoral ser iniciado, levou fatos e documentos ao conhecimento dos dirigentes maiores da Associação Internacional. Mas todos foram ignorados ou respondidos com evasivas, às vezes, com justificativas não contidas no Estatuto e Regulamentos.
Para sacramentar, quem participou efetivamente do processo eleitoral, virtual, verificou que ao lado dos candidatos a diretores, a vices e as matérias em votação, só havia a opção do SIM. Não havia o NÃO e o em BRANCO ou NULO. Também não se conseguia enviar o voto, para que outro nome ou assunto em votação fosse apresentado, se não assinalasse obrigatoriamente o SIM.
Alguns sabem que recursos, quanto ao processo e ao seu resultado, foram documentados e apresentados, mas indeferidos por quem preparou a resposta para a direção maior de Lions sacramentar. Algumas das questões apresentadas, e evidenciadas, não foram consideradas nas respostas.
Tudo bem, já passou e não há retorno! O lamentável, pela má transparência de tudo, é que em um processo que se esperava a prática da democracia em sua essência, com milhares de delegados participando e votando, escolhendo livre de qualquer pressão o seu candidato, somente pouco mais de seis e quinhentos se fizeram presentes. No final, foi eleito mais um Leão pré-escolhido e indicado pelos dirigentes maiores da Associação, como sempre ocorreu ao longo dos anos, independentemente do processo de votação utilizado.
Destaca-se, ainda, como desagradável neste processo centenário da nossa Associação, o fato de que, de forma indevida por quem organizou o encontro, a PID Rosane havia sido convidada para participar das comemorações dos eleitos na Convenção. Mas, por absurdo e muito estranho, o encontro se daria antes da data da Convenção. Ela não foi porque não tinha sentido e já sabia, ou pressentia, que as suas chances de vitória contra uma máquina que se diz democrática, mas que usa da força dos que se intitulam líderes para fazerem o que desejam, seria quase nenhuma, como foi. Nas redes sociais foram expostas fotos do encontro promovido para os candidatos “eleitos”.
Este breve relato de quem vivenciou, e viu muito do que aconteceu, objetiva a propor uma verdadeira reflexão por parte dos Leões, qualquer que seja a função que ocupam, ou não, sobre os processos de eleições para os cargos dos Clubes, Distritos, Distritos Múltiplos, Diretores Internacionais, Vices Presidentes e Presidente Internacional, assim como para os conceitos e para as práticas políticas que vigoram em Lions.
Quando poderão os Leões escolherem livremente e democraticamente os seus líderes? Líder não são aqueles que se autodenominam como líder, mas sim aqueles que não se autodenominam e são seguidos e admirados, livremente, por muitos Leões, pelos atos e ações que praticam e pela dignidade da forma que tratam e respeitam os demais.
Se o Brasil tem que indicar só um, que este um seja escolhido e eleito democraticamente em pleitos realizados em cada um dos Distritos que compõem o Múltiplo Brasil. Se assim for efetivado, teremos os líderes escolhidos e legitimamente representativos da maioria, assim como teremos a verdadeira união nacional democrática dos Lions Clubes.
Mantidos os atuais e péssimos valores democráticos, em todos os níveis da escala funcional da estrutura, incluso seus processos de preparar e fazer as eleições, não avançaremos na credibilidade da Instituição e nas dos seus dirigentes maiores. Precisamos refletir e agir para mudar, ou vamos desunir os Leões, os Clubes e ter muitas dificuldades para crescer em quantidade e qualidade de associados.

*2º deles:* Recentemente recebi uma ata de reunião realizada on-line, onde o PID Zander foi o expositor. O assunto foi o do possível retorno do Fórum Brasileiro (FOLBRÁS), com contexto similar ao Fórum Latino Americano (FOLAC), visando debater assuntos de interesses dos Leões e unir os Clubes, Distritos e Distritos Múltiplos do Brasil.
Sobre esta proposta apresentada no encontro, e descrita na ata que chegou para mim, escrevi um texto em separado, o qual público junto com este, para reflexões de todos que o ler, concordando com a ideia do Fórum, mas discordando do regime político que estaria implícito na proposta.

CONCLUSÃO:

A proposta destes textos é a de analisar estas duas situações, e seus reflexos na verdadeira e democrática união dos Leões, claro que sob os meus pontos de vista, vivências e conceitos. Também para propor que ações sejam implementadas, e praticadas, para que os princípios democráticos verdadeiros possam ser efetivamente aplicados em nossa Associação de Lions Clubes.
Entendo que só desta forma podemos nos sentir bem e continuar a trabalhar de forma desinteressada, a favor de quem precisa. Muitas das vezes, arcando com os nossos recursos financeiros e os das nossas famílias.
Nem todos podem aceitar e conviver com estas situações (política suja e gastando muito dos seus recursos). Vários já abandonaram o nosso meio, por desilusão. Para crescer como clubes e como pessoas, para nos unirmos, como constantemente está sendo proposto e divulgado, precisamos de muito respeito pelo que preconizam os nossos Estatutos e Regulamentos, pelos valores básicos da democracia, da ética e dos nossos propósitos, além de muita transparência em todos os atos que praticamos. Lembrando que transparência não é ficar afirmando e repetindo de que tudo está correto; mas sim mostrando todas as evidências e “abrindo as portas” para quem desejar fiscalizar e afirmar o resultado.
Agradeço a todos que tiverem tempo para ler os documentos e expressar as suas visões e opiniões, sejam favoráveis ou não, para que possamos, em conjunto, encontrar um caminho que seja bom para a maioria dos Leões, como estabelece o conceito fundamental da Democracia, ou seja, que a maioria escolhe e define o rumo da sociedade ou da instituição.
MJF Jorge Roberto de Almeida
Nota: Estas reflexões não representam a opinião dos diretores e associados do Clube. Representam apenas a minha.

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